migração cultural alada…

Sou uma admiradora da fotografia de natureza. Araquém Alcântara que me ouça!

Tenho quase zero de experiência nesta área. Digo “quase” zero porque em 2002, quando eu estava grávida de 2 meses do meu filho, viajei pela Folha de São Paulo para fazer umas fotos na Laje de Santos, unidade de conservação ambiental da rota migratória das aves atobás-marrom a 45km da orla das praias de Santos. … Dormi um dia em alto-mar e achei que iria ficar por lá de tão apaixonante que foi ver baleias jubartes e mergulhar junto com a equipe de biólogos com quem viajei. Um sonho realizado! Encontrei este atobá muito simpático por lá…

E ontem assisti a um filme lançado em 2002 sobre aves junto com meu filho… “Migração Alada” ou em inglês “Winged Migration“, do diretor francês Jacques Perrin. Pensei inicialmente que seria algo como “National Geographic” ou como a “Marcha dos Pinguins” – ressalto que adoro os documentários da National e que me emocionei com a Marcha, por incrível que pareça. Em tempos de Al Gore e Prêmio Nobel da Paz, uma boa pedida…

Mas o que deveria ser rotineiro e banal neste documentário surge de maneira sutil, mas reflexiva para quem assiste a ele… Como chegar em culturas diferentes sem conhecer as pessoas e nem o lugar onde se vai e conseguir fotografar e ou filmar de forma tão visceral… A conquista do sujeito que está lá é o que sempre me fascinou na fotografia e nos fotógrafos. Mesmo esse sujeito sendo um bicho.
Na antropologia se fala na melhor forma de abordagem social do homem em comunidades como fundamental elemento para a captura correta de dados para o “diário de bordo”. Enfim, tenho tentado trabalhar assim… Não sei se estou indo pelo caminho certo, mas algumas coisas boas consegui…
Voltando ao filme… O que mais me chamou a atenção além das imagens primorosas feitas com câmeras e cinegrafistas dentro de balões, planadores, helicópteros, bicicletas, motos, paragliders – isso impressiona e torna as imagens mais humanas e realistas ainda – foi a grande experiência humana que todos os quase 500 participantes da grande equipe de filmagem (entre cinegrafistas, biólogos, ornitólogos, fotógrafos…) tiveram ao atravessar mais de 300 lugares diferentes no mundo para contar sobre a rota que diversos tipos de aves realizam durante o ano todo. Voaram por lugares de frio, calor, no deserto, de extrema poluição, países onde há caça aos pássaros… Amazônia, Deserto do Saara, Nova York, Europa Oriental, Antártica foram alguns dos lugares entre os 40 países e 7 continentes por onde passaram… Conviveram com algumas aves desde o nascimento e chegaram em comunidades simples e belas para filmarem as cenas.
O filme é muito bom! Talvez o tema não agrade a alguns fotógrafos… Mas mesmo que não se atraiam, procurem pelo menos ver o making of…

É um trabalho que sonharia em ter participado… Invejável! Uma grande operação de guerra para conseguirem acompanhar a rota migratória de várias espécies de aves.

Quando chegaram na Amazônia imaginei que até Araquém talvez desejasse acompanhar esta equipe tão empenhada neste rico documentário… Ah, tinha me esquecido de citar que foram necessários 14 diretores de fotografia para esta mega operação de filmagem!
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