a fotografia e a morte

Sumiço e desaparecimento… Como numa foto que perde a cor com o tempo ou ganha fungos ou ainda retrata uma situação, pessoa que há muito não vemos e já não mais a reconhecemos pelas linhas do tempo que mudam o rosto…
A morte é algo que na nossa cultura ainda não conseguimos engolir, suportar direito, pelo menos eu ainda não… No nordeste para perpetuar seus entes, ainda se vê no interior fotografarem seus mortos prontos e vestidos antes de seu enterro, de olhos fechados… “Os bebês eram fotografados de olhos abertos para entrarem nos céus”… Um dia no interior de Pernambuco me contaram…
Em abril, Marcos Gusmão, um amigo, competente jornalista, criativo, animado, feliz, pai de Júlia que vai nascer por estes meses, marido apaixonado, pela vida foi embora aos 34 anos para o que podemos chamar nova jornada. Perdeu o ar que sempre teve lá nas rédeas e foi a outras paragens… Enfim… Nada é mais difícil dentre os rituais de vida do que a morte…
A imagem do que fica é seu rosto sempre alegre e cordial… Seu rosto na morte, ainda assim não pode ser capturado pela máquina, obviamente, mas seu riso gravado na memória da cabeça que gira e imagina milhares de situações possíveis de volta e retorno do tempo… Mas ainda não podemos ter este controle… Só na câmera fotográfica, podemos ter a ilusão desta volta…
2 meses de viagem Gusma… E nossas mortes diárias e por segundo continuarão acontecendo… Faz parte da vida… É isso!!! E “registrar” o momento é fundamental para termos como alimentar nossa memória e a de nossos amigos, filhos, netos, bisnetos e afins…
Por isso, estamos voltando aqui no blog… Uma morte momentânea de 2 meses, mas necessária para o retorno…
Continuem acompanhando o blog… Tem coisa boa vindo por aí…
Neste post indico o blog de Cris Guerra, uma também jornalista que decidiu escrever sobre seu amor pelo marido que também faleceu quando ela estava grávida. Seu filho, Francisco poderá saber do pai nos relatos quase que diários de Cris e das maravihosas fotos tiradas do baú da memória de um amor que não pôde esperar para ver a carinha de seu filho…
Linda memória…

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