o mágico escher e a fotografia e a matemática e a gestalt… e principalmente: a metamorfose da fila!!

“Auto-retrato no Espelho Esférico” – 1950
Nunca vou a exposições que estejam teminando ou começando aqui em São Paulo… Não me divirto e nem tenho paciência para filas gigantes.  Desatualizada estava que não sabia que a maravilhosa exposição do Mundo Mágico de Escher havia começado há apenas três dias em São Paulo!!! Pois então! Chegando no Centro Cultural Banco do Brasil, vi uma fila que não tinha mais fim… Uma não, várias filas… Quem conhece aquela área no Centro de SP visualize uma fila que sai do CCBB e quase que chega na Praça da Sé!!!!! Isso mesmo!!! Para cada área da exposição se formava uma fila diferente…

Eu estava nos meus dias zen… Decidi encarar… Resultado: não deu tempo de ver a exposição inteira e resolvi voltar depois, achando e me enganando que no outro dia seria diferente. Sexta eram filas, sábado eram filas e mais e mais e mais… E me rendi a elas!! E nem acreditei que estava fazendo isso… Mas foi terapêutico: exercício de paciência, com o tempo que não passava, com a fila que não andava e com gente atrás e na frente que ficava falando absurdos ideológicos, teóricos, sociológicos… Enfim… Pensei que por Escher valeria a pena a desavisada aqui ficar ali esperando e contando o tempo. Prenuncio que até o fim da exposição dele, elas – as filas – vão estar do mesmo jeito.

“Cascata” – 1961
Mas com certeza valeu demais a pena. Descobri que o Maurits Cornelis Escher que eu admirava era muito melhor do que eu tinha imaginado. E que, como outros artistas da época, ele além de arquiteto era também fotógrafo!! Mas como não ser, com aqueles pontos de fuga de cima e de baixo?? Um deleite nos conceitos de ciclo, vida, morte, espelhamento, ladrilhamento que ele desenvolveu em seus desenhos, litografias, xilogravuras, entalhes em pedra e madeira. Fiquei realmente pensando na apuradíssima técnica que ele tinha, pois sem ela não sei se ele não teria morrido do coração… Aquilo é também um verdadeiro exercício de paciência!!
Seu talento matemático e artístico baseado em seus estudos gestálticos fenomenais trouxeram a investigação quase evolucionista por assim dizer do mundo… E por que não social, com seus homens e mulheres quando não com o olhar distante dentro de castelos, em outros momentos em movimento numa linha de produção? Com seus pássaros que viram peixes e vice-versa, seus cubos que viram pássaros no seu método de ladrilhamento e ilusão de ótica. O que é realidade? O que não é? O que é impossível ou não?
Metamorfoses enigmáticas delirantes… Na exposição, sete de suas obras são destrinchadas em um filme em 3D de poucos minutos, mas que deixam o público tonto de tanta engenhoca e inteligência articulada, metódica mas ao mesmo tempo artística, livre e experimental. Uma mistura, como era mesmo o holandês Escher!! Aqui o prédio Belvedere, uma das obras de Escher “explicada” (?!).
Claro que as salas mais intimistas, com suas obras originais são o de melhor na exposição. E alguns tem reclamado do excesso de interatividade na exposição. Mas vi na fila muita gente vindo do interior de São Paulo, da zona norte, leste, com filhos pequenos, na barriga, vi um catador de lixo interessadíssimo em conhecer quem era aquele tal “Ixir“, vi gente misturada e em metamorfose. O bom da fila foi isso! Perceber que o Escher sem querer fez uma multidão de diversas classes, lugares e jeitos se unir num só objetivo: vê-lo e apreciá-lo, mesmo que em alguns momentos, não tão intimista, elitizado ou nos moldes de uma exposição tida como “clássica” de um artista que pelo que me pareceu era assim mesmo, uma mistura de talentos e intenções. E eu pude passar um final de semana calmo e tranquilo depois de exercitar bem meus olhos e minha mente com a sensação de ter aprendido muito, tanto na exposição quanto na sua fila metamórfica.
“Dia e Noite” – 1938
Vale ver o vídeo-biografia de Escher aqui. E curiosamente encontrei algumas obras do Escher feitas com o joguinho Lego pelo não menos artista Andrew Lipson. Vejam na N-Magazine! Genial!
“Relatividade” – 1953
A exposição “O Mundo Mágico de Escher” vai até 17 de julho no Centro Cultural Banco do Brasil em São Paulo, na Rua Álvares Penteado, 112 – Centro. De terça a domingo, das 9h às 19h.
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