a discussão da memória por Claudio Parmiggiani e por Chiharu Shiota

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Capa do livro “Petrolio“, do fotógrafo e artista visual italiano Claudio Parmiggiani
Há algumas semanas teve início o curso “Veredas. A saudade e a cidade em suas representações fotográficas” no Centro de Preservação Cultural da Universidade de São Paulo (USP), na famosa Casa Dona Yayá dado pelo professor de artes visuais, o francês Samuel José Gilbert de Jesus. Na última aula, ele apresentou um universo repleto de fotógrafos portugueses, franceses e italianos; alguns mais conhecidos e outros menos e dentre todos a característica era o envolvimento da fotografia com as artes plásticas. Muitos deles de nosso tempo e outros tantos antigos, mas pouco vistos aqui no Brasil.
Um dos mais intrigantes e avassaladores que ele nos apresentou foi o artista plástico e fotógrafo italiano Claudio Parmiggiani. Claudio realizou um trabalho em 1998, que resultou no livro publicado na Itália em 2009 “Petrolio“, sobre marcas e vestígios do tempo de maneira muito inusitada. Trancou em um galpão vários pneus velhos e ateou fogo neles, com o cuidado de não incendiar o local. Logo após, todos os espaços como a biblioteca, por exemplo, – ambiente mais recorrente em sua obra – estavam com fuligem, com a poeira emanada da fumaça dos pneus, formando um “negativo” do espaço. Para dar esta impressão da película negativa de filme fotográfico, após a queima dos pneus, retirou os objetos que estavam dispostos no espaço. Na biblioteca ele retirou os livros, que fizeram com que as marcas deles ficassem na parede. Na sala, uma cortina. Nas prateleiras, alguns objetos como crânio, ampulheta, um quadro com borboletas… Retirar o objeto do lugar é tornar visível sua marca numa superfície que pode ser nomeada como receptáculo.
A intenção do artista italiano é tratar a fotografia, ela, como processo de fossilização, como garantia de que aquilo existiu. E o aspecto de fossilização é o grande objetivo deste trabalho maravilhoso. Claudio usa o lugar como matéria de conciliação da memória, com uma obra feita de poeira e leva em conta a importância do lugar para o indivíduo. Poeira,cinza e luz.  E a pergunta se faz: qual seria a materialidade da fotografia?
Um artigo bem atual publicado pela mestranda da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Aline Dias, é o “Cubo de Poeira“, que cita Marcel Duchamp e Claudio Parmiggiani como os “artistas que exploraram a poeira como matéria de trabalho de suas obras.
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Claudio Parmiggiani
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Claudio Parmiggiani
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Claudio Parmiggiani
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Claudio Parmiggiani
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Claudio Parmiggiani
Uma mistura de nostalgia, melancolia, com pena, lembrança, perda, urgência, marca, alegria, perpetuação, é muito do que se vê nas discussões sobre a questão da memória. Claudio surpreende com sua performance de incendiário, mas ao mesmo tempo de construtor e provocador de uma marca quase que instantânea, formada nas regras da vida pelo tempo que pára ou que estanca um objeto, um momento.
…….
No último dia 09, quinta-feira, outro italiano, mas este radicado no Brasil, o psicanalista Contardo Calligaris, colunista da Folha de São Paulo publicou uma impressão e uma discussão sobre a relação das informações com a passagem do tempo, com a urgência e com a realidade intitulado “Síndrome de Fukushima” – vide blog “Perca Tempo”. E apresentou a paciente e talentosa artista japonesa, Chiharu Shiota, que teve trabalho exposto na Bienal de Veneza – que teve início no último dia 04 -, o “Memory of Books“. Este trabalho, também coloca nos objetos ‘livro’ e ‘biblioteca’ a importância da memória como constitutiva de identidade e de importância para o entendimento das marcas do tempo e como referência de vida e apresenta nas entrelinhas do seu contexto a rapidez e a fugacidade das relações com o nosso espaço. Vale muito ver e  dialogar a respeito.

Chiharu Shiota
Por Chiharu Shiota
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Uma resposta para a discussão da memória por Claudio Parmiggiani e por Chiharu Shiota

  1. Ana Lira disse:

    Oi Lu, minha flor!Fiquei bem tocada com este artigo, porque gosto dessas questões da história, da memória, do tempo. Esse trabalho do Parmiggiani é tão lindo, tocante, forte. Adorei. O seu textinho é muito delicado, também. Espero ler logo coisas novas =)

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