fotos no "do horizonte da minha janela "!!!

 
Por João Campello, de Brasília – DF. Mais janelas, quero mais janelas!! Bella Valle acabou de postar no flickr a janela dela. Vão lá! Visitem e participem!
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sempé, a fotografia, a bicicleta e o instante decisivo e ainda… o abaixar das câmeras…

Afirmo que se eu não fosse fotógrafa, seria ciclista. Vou de bicicleta para todos os lugares. É meu veículo oficial. E acho muito bom! Se eu tivesse destreza, fotografaria enquanto pilotaria minha bike. Mas eu não tenho essa habilidade, ainda, digamos. E de tanto amor a essas duas artes, me chegou – aliás chegou nas mãos do meu filho de presente de aniversário – o livro Raul Taburin,  belissimamente escrito e desenhado pelo famoso ilustrador francês Jean-Jacques Sempé (nome sugestivo para os sem juizo e viajantes na memória e na mente como um todo). Ele e René Goscinny publicaram a série de tirinhas que em 2009 deram inspiração ao filme do também francês Laurent TirardLe Petit Nicola” ou “O Pequeno Nicolau“. Vale a pena assistir! Lindo demais! Também é de Sempé o conhecido Marcelino Pedregulho.
Mas o Raul Taburin me impressionou. Li junto com meu filho. Não há que se contar história de livro e de filme completa para não estragar surpresas, mas confesso que desta vez um pouco da trama terei que revelar pelo tema que ela destrincha.
O sr. Taburin é um mecânico de bicicletas, mas esconde um segredo: não sabe andar de bicicleta. Morre de medo. E um amigo seu entra na história, o Hervé Figure, que é nada mais nada menos que um FÓTOGRAFO!!! Hervé também tem um segredo… No livro a convivência dos dois é balisada e tensionada pelos segredos de ambos, com um final lindamente poético. Como todo o livro o é… Uma poesia só…
Mas o que mais me impressionou foi o questionamento ético que permeia toda a história: a discussão sobre o instante decisivo (veja no site Photosynteses)… Isso mesmo! O Hervé Figure, fotógrafo, discute sim o instante decisivo num livro para crianças e pré-adolescentes! Mas sinceramente o livro não foi escrito para uma faixa etária específica. É incrível ver nas linhas do livro o que o Hervé com tristeza e dor argumenta sobre como ele esperava que tivessem sido as várias fotografias que ele realizou na vida… Ele achava que não sabia fotografar… E vem aquela famosa e necessária “falação” do que seria realmente o instante decisivo que o Henri Cartier-Bresson tanto apresentava em sua obra… Vejam a página do livro Raul Taburin que reproduzi aqui. Numa cena, o Hervé apresenta, segundo ele, a famosa imagem do fotógrafo Robert Doisneau, de um instante decisivo. Na outra página, a foto do Hervé… E na outra página ele conta também sobre um instante decisivo de Cartier-Bresson e a foto que Hervé fez para a mesma cena. Maravilhoso!!! Cliquem duas vezes nesta imagem do livro, para ver mais de perto.
Texto do livro: “Você compreenderá o meu drama íntimo. Você conhece esta foto (Taburin não teve tempo de negar), sabe que ela é de Robert Doisneau e que foi reproduzida por todos os cantos. Você lembra que o primeiro-ministro inglês veio, em companhia da esposa, acertar aquela história da dívida da França. Na chegada, o tapete vermelho se soltou da escada e o ministro quebrou o pulso. Eu também estava lá…
E eis a minha foto. Tecnicamente, é perfeita. A massa negra dos burocratas e a menina com as flores: ficou ótima. Mas eu não soube flagrar o momento, o instante decisivo.
Leiam o livro!! Vale a pena!!! Essa discussão sobre quando abaixar a máquina também entra nas palavras do Raul Taburin. Em parte da história, Hervé Figure, está entre fazer a foto da sua vida e salvar seu grande amigo Raul Taburin de morrer numa queda de bicicleta de um penhasco. Lembrando do documentário realizado pela Núcleo de Imagem sobre os fotojornalistas do Rio “Abaixando a máquina” (leiam artigo do Guilhermo Planel) e no blog 7 Fotografia que tem puxado muito bem para a roda essa temática…
Enfim… Essas questões sempre virão na cabeça dos fotógrafos e recortadores, criadores de imagens…
O difícil ainda é responder de maneira tranquila e determinada para o meu filho, que no final do livro perguntou: mãe, mas ele tinha mesmo que ter feito a foto do melhor amigo dele se espatifando na montanha ao cair da bicicleta???
Ah!! Muito importante!! Não achei esta foto do Doisneau!! Se alguém achar, por favor, entrem em contato e me digam para eu continuar este comentário.
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do horizonte da minha janela… idéia de fotografia coletiva sobre sua janela ao acordar!!

Idéia que nasce no chuveiro ou nos sonhos é idéia frutífera!! Já ouviram falar disso?? Nem eu… Mas acordei com isso na cabeça: fotografar minha janela logo quando acordo. Sempre me levanto e vou até minha janela olhar para fora. Como boa pernambucana, sempre tenho esperança de ver sol e céu azul na terra onde moro, São Paulo. Mas muitas vezes não vejo. De qualquer forma é este o meu horizonte atual.
Lembrei muito do fotógrafo-mestre Luis Humberto com seu título genial de seu livro “Do lado de fora da minha janela, do lado de dentro da minha porta“… E do filósofo e poeta Gaston Bachelard com seu livro avassalador “A Poética do Espaço” – leiam excelente comentário sobre esse livro no blog Transobjeto Coletivo.
Mas daí tive um lampejo de convidar a quem queira postar no Flickr (visitem que já há conta aberta para esta idéia) fotos de suas janelas também. Tive a curiosidade de saber como são os seus horizontes… Pelo Brasil grande e enorme!! E aí, que acham?
O que peço na descrição da foto, para a história ficar mais divertida e antropologica-geograficamente-humanística:
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Tamanho: 72dpis – 15x21cm (sugestão para ficarem mais organizadas e pesar o que tem que pesar)

Vamos formar várias janelas juntas!! Aguardo colaborações e muitas nesta empreitada boa e divertida!

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"paralaxis" e o "outras palavras", por antônio martins

Conheci Antônio Martins em uma oficina sobre jornalismo colaborativo – A Escola Livre de Comunicação Compartilhada que aconteceu aqui em São Paulo. Jornalistas de ongs, do funcionalismo público, independentes, ligados a movimentos sociais e políticos… Gente boa de todos os lados…

Por motivos pessoais – filho que não tinha com quem ficar nos dias que aconteciam as oficinas – não pude concluir e participar mais daquele grupo e chegar ao final das oficinas. Fui poucas vezes, mas vezes valiosas que mudaram muito minha forma de pensar e de entender as notícias sobre o mundo. Adorava as palestras, discussões sérias, profundas, de profissionais bem fundamentados e muito muito muito muito bem informados!! Aquilo era gente bem informada!! E principalmente, gente que se ajudava demais. Diferentemente dos “jornalismos” que muito existem por aí…
Numa ida ao boteco da frente – a oficina aconteceu na sede do projeto da Revista Viração, que fica na Rua Augusta – atestei o quanto aquele grupo que estava se formando traria muita coisa boa mesmo para o jornalismo brasileiro. Reais pensadores, questionadores!!
Antônio Martins foi o responsável pela vinda do Le Monde Diplomatique para o Brasil. Ele é um dos grandes ativistas na área de comunicação e mídia no Brasil. Figura resistente e perseverante, que com sua tranquilidade e firmeza vai acolhendo quem passa e vibrando com notícias boas. Houve um desmembramento e hoje existe o Outras Palavras, que abriga a Biblioteca do Le Monde Diplô-Brasil, mas além disso e muito mais, anda sozinho, transformou-se em Ponto de Cultura e traz profissionais com propostas, trabalhos e notícias dos mais diversos cantos do mundo. É tanta informação que a gente fica tonto! Tonto de tanta coisa bem apurada e que muda a mente e a alma… E quem idealizou e hoje coordena esse projeto é o jornalista Antônio Martins. Vale muito muito mesmo frequentar diariamente este ambiente saboroso de notícias na net! No mínimo a sensação de alienação que temos diariamente ao ligar nossa tv ou ler a maioria dos jornais do país, desaparece… De resto, o Outras Palavras é lucro no juízo, com benefícios à inteligência fenomenais…

E hoje pude acordar com a honra do multimídia “Ocupação” do nosso Coletivo Paralaxis estar no Outras Palavras, disponível para apreciação de todos e para discussão. E me torno oficialmente uma colaboradora deste. Obrigada, Antônio! Visitem!!
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multimidia "Ocupação", pelo Coletivo Paralaxis – (música de Felipe Mancini)

Conviver com moradores de um prédio que poderia ser desocupado pela polícia a mando da Prefeitura a qualquer momento. Essa era a realidade esperada quando começamos a conhecer aqueles espaços e pessoas do centro de São Paulo, especificamente, dos prédios Prestes Maia, da 9 de Julho e dos hotéis da Av. Ipiranga com São João. Antigos hotéis, abandonados e em risco. Com IPTU não pago há décadas, mas com seus proprietários que não cediam de maneira alguma à permissão de locação ou alguma utilidade habitacional. Simplesmente preferem deixar desmoronar, cair aos pedaços a ceder para os nomeados sem-teto – estes que, quando aportaram ali naqueles prédios ou moravam na rua ou tinham suas casas em risco. Chegaram ali para tentar “fazer a vida”. Queriam poder morar dignamente.
Não precisamos muitas vezes saber da estatística do déficit de moradia no Brasil (leiam sobre moradia e Direitos Humanos no Brasil no site do DHNet. É visível quando numa tarde andamos pelas ruas. Há uma problemática urbana, principalmente, desde que os campos foram trocados pelas cidades: por falta de trabalho, a mudança era inevitável, salientando que notícias de modernização e “progresso” veiculadas atraiam e ainda muito atraem a população para uma busca de melhor qualidade de vida. E qualidade de vida para a maioria das pessoas é morar, comer, trabalhar e dormir dignamente – no mínimo.
Conhecemos pessoas maravilhosas. E tanto eu, como Fernando e Stefan, ficávamos lá por horas, aprendendo com a organização e disciplina daqueles moradores ansiosos por alguma decisão benéfica à situação deles. Queríamos voltar mais e mais vezes… E voltamos várias e várias e várias… Encontramos muitas vezes pelos corredores dos edifícios com os coordenadores da ong Anistia Internacional fazendo um trabalho de formiguinha, com perseverança e atitude.
Artistas plásticos, professores, catadores de lixo, eletricistas, aposentados, marceneiros, muitos e em demasiada oraganização impressionaram pela determinação e pela receptividade, principalmente os moradores da Av. Ipiranga com a São João…
Queríamos mostrar um pouco do que víamos e das condições das pessoas que muita gente infelizmente ainda rotula de “vagabundos”. Absurdos perpetuados no consciente coletivo de uma sociedade. Trabalhadores árduos demais. Numa manhã, vi dona Cida fazer um panelão de almoço para os moradores do hotel na Av. Ipiranga que mesmo cozinheira experiente teria dificuldade em aprontar. Uma equipe saia toda manhã para recolher verduras, frutas e legumes no Mercado Municipal do centro. Quatro horas da manhã já estavam de pé. Uma outra equipe ficava responsável pela rede elétrica. Outra pelo abastecimento de água. Muita fé nos olhos! Muitas crianças amorosas que iam para suas escolas distantes daquele lugar, mas porque as mães e pais afirmavam ser o futuro daquelas crianças. “Estudar. Eles precisam estudar. Não tem essa de faltar à escola”, firmemente colocou uma mãe que passava rapidamente descendo as escadas levando seus dois filhos para a escola e já estava atrasada para pegar o ônibus. Todos iam para a escola todos os dias.
No primeiro dia de visita no hotel da Av. São João, conhecemos uma artista plástica que estava organizando uma exposição e um bazar. Ela vinha de longe já. Tinha morado em vários lugares no país. Fez uma exposição bonita e bem original, utilizando-se dos restos encontrados da construção do prédio que ocupou. Infelizmente com a chuva e as goteiras que entravam pelo teto do primeiro andar do prédio, a exposição e o bazar tiveram que ser adiados.
Nosso Coletivo pretende abordar ainda mais este tema da Moradia no Brasil… Por enquanto, aqui uma pequena mostra do que começamos a vivenciar acompanhando algumas pessoas com as quais aprendemos muito.
Este multimídia foi selecionado para o Programa Fotograma Livre, do Festival de Fotografia de Porto Alegre, o FestPoa 2011.
Mirem um pouco do que conhecemos com os ocupantes daqueles espaços… Vejam o vídeo também aqui – “Ocupação“.
Para quem não sabe, faço parte, juntamente com Fernando Martinho, Stefan Schmeling do Coletivo Paralaxis. Visitem nosso sítio! Visitem também o site da banda Rodamundo, da qual participa o talentoso músico Felipe Mancini, responsável pela trilha deste multimídia.
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o mágico escher e a fotografia e a matemática e a gestalt… e principalmente: a metamorfose da fila!!

“Auto-retrato no Espelho Esférico” – 1950
Nunca vou a exposições que estejam teminando ou começando aqui em São Paulo… Não me divirto e nem tenho paciência para filas gigantes.  Desatualizada estava que não sabia que a maravilhosa exposição do Mundo Mágico de Escher havia começado há apenas três dias em São Paulo!!! Pois então! Chegando no Centro Cultural Banco do Brasil, vi uma fila que não tinha mais fim… Uma não, várias filas… Quem conhece aquela área no Centro de SP visualize uma fila que sai do CCBB e quase que chega na Praça da Sé!!!!! Isso mesmo!!! Para cada área da exposição se formava uma fila diferente…

Eu estava nos meus dias zen… Decidi encarar… Resultado: não deu tempo de ver a exposição inteira e resolvi voltar depois, achando e me enganando que no outro dia seria diferente. Sexta eram filas, sábado eram filas e mais e mais e mais… E me rendi a elas!! E nem acreditei que estava fazendo isso… Mas foi terapêutico: exercício de paciência, com o tempo que não passava, com a fila que não andava e com gente atrás e na frente que ficava falando absurdos ideológicos, teóricos, sociológicos… Enfim… Pensei que por Escher valeria a pena a desavisada aqui ficar ali esperando e contando o tempo. Prenuncio que até o fim da exposição dele, elas – as filas – vão estar do mesmo jeito.

“Cascata” – 1961
Mas com certeza valeu demais a pena. Descobri que o Maurits Cornelis Escher que eu admirava era muito melhor do que eu tinha imaginado. E que, como outros artistas da época, ele além de arquiteto era também fotógrafo!! Mas como não ser, com aqueles pontos de fuga de cima e de baixo?? Um deleite nos conceitos de ciclo, vida, morte, espelhamento, ladrilhamento que ele desenvolveu em seus desenhos, litografias, xilogravuras, entalhes em pedra e madeira. Fiquei realmente pensando na apuradíssima técnica que ele tinha, pois sem ela não sei se ele não teria morrido do coração… Aquilo é também um verdadeiro exercício de paciência!!
Seu talento matemático e artístico baseado em seus estudos gestálticos fenomenais trouxeram a investigação quase evolucionista por assim dizer do mundo… E por que não social, com seus homens e mulheres quando não com o olhar distante dentro de castelos, em outros momentos em movimento numa linha de produção? Com seus pássaros que viram peixes e vice-versa, seus cubos que viram pássaros no seu método de ladrilhamento e ilusão de ótica. O que é realidade? O que não é? O que é impossível ou não?
Metamorfoses enigmáticas delirantes… Na exposição, sete de suas obras são destrinchadas em um filme em 3D de poucos minutos, mas que deixam o público tonto de tanta engenhoca e inteligência articulada, metódica mas ao mesmo tempo artística, livre e experimental. Uma mistura, como era mesmo o holandês Escher!! Aqui o prédio Belvedere, uma das obras de Escher “explicada” (?!).
Claro que as salas mais intimistas, com suas obras originais são o de melhor na exposição. E alguns tem reclamado do excesso de interatividade na exposição. Mas vi na fila muita gente vindo do interior de São Paulo, da zona norte, leste, com filhos pequenos, na barriga, vi um catador de lixo interessadíssimo em conhecer quem era aquele tal “Ixir“, vi gente misturada e em metamorfose. O bom da fila foi isso! Perceber que o Escher sem querer fez uma multidão de diversas classes, lugares e jeitos se unir num só objetivo: vê-lo e apreciá-lo, mesmo que em alguns momentos, não tão intimista, elitizado ou nos moldes de uma exposição tida como “clássica” de um artista que pelo que me pareceu era assim mesmo, uma mistura de talentos e intenções. E eu pude passar um final de semana calmo e tranquilo depois de exercitar bem meus olhos e minha mente com a sensação de ter aprendido muito, tanto na exposição quanto na sua fila metamórfica.
“Dia e Noite” – 1938
Vale ver o vídeo-biografia de Escher aqui. E curiosamente encontrei algumas obras do Escher feitas com o joguinho Lego pelo não menos artista Andrew Lipson. Vejam na N-Magazine! Genial!
“Relatividade” – 1953
A exposição “O Mundo Mágico de Escher” vai até 17 de julho no Centro Cultural Banco do Brasil em São Paulo, na Rua Álvares Penteado, 112 – Centro. De terça a domingo, das 9h às 19h.
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joão roberto ripper, sérgio carvalho… studium e punctum com fôlego!!

João Roberto Ripper
Um caso de amor…
Acredito que o fotógrafo João Roberto Ripper não suporta mais tantos amores na vida… Mas quem manda ele ter a fotografia como missão e fazer tanta coisa boa pelo metiér e consequentemente pelas pessoas???!!! Quem possui bom juízo tem respeito, orgulho por quem faz este tipo de traballho.
Ana Lira, fotógrafa pernambucana – mais uma apaixonada  pelo mestre das Imagens Humanas – me deu mais um motivo para a minha admiração por ele ascender: o livro “Retrato Escravo“, lançado ano passado, publicado pela Organização Internacional do Trabalho, com fotos dele e do piauiense não menos competente Sérgio Carvalho. Ganhei de presente no Natal, que chegou em minha casa quase que pelo Papai Noel, com direito à cartinha linda escrita em guardanapo. Aninha me deu este maravilhoso presente com a incumbência dada a ela de repassar “a pessoas que pudessem desenvolver trabalhos e discussões a partir dele“.
Já faz quase 4 meses que vejo este livro na minha estante e nas minhas mãos e me tomo sem fôlego para escrever algo sobre ele. Evitei ao máximo me debruçar sobre cada foto. Quase uma covardia, assumo… Mas é que tem sido difícil lidar com o conhecimento a respeito de certas situações que ainda possam existir no país e no mundo, como se vivéssemos num regime gutural de comunicação e ação ainda… Infelizmente…
Desde que vi a exposição de Ripper na Caixa Cultural em São Paulo em 2009 – quando pude conhecer a história da forte-frágil Olga, mulher que ficou cega no trabalho escravo em carvoarias, esposa de João Anselmo – tive a plena certeza de que o trabalho deste fotógrafo era mais do que admirável. É como se sentíssemos Ripper entrando no peito de cada fotografado, mas de maneira muito sincera e fiel, com todo o respeito devido. 
E como bem diz no livro o jornalista e cientista político, Leonardo Sakamoto: (vale ver o excelente blog do Leonardo) “As fotos aqui mostradas não são imagens, mas um chamado à ação“.
Pois vamos à ação, tomando-o como exemplo… Tenho ido aos poucos, mas com certeza este livro é um bom detonador de atitude perante certos temas ainda recorrentes nas regiões do mundo.
E, segundo o semiólogo Roland Barthes, ele reune o punctum e o studium numa só foto… (leiam sobre este assunto no excelente resumo escrito em 2006 pelo fotógrafo doutor em Artes, Ronaldo Entler).
O livro é mais do que belo e socialmente responsável… É um sacolejador de almas! 
Sérgio Carvalho
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